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13/11/2007 - Aventura,
técnica e conhecimento são ingredientes da geologia
Fonte: Site–Globo.
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Áreas de trabalho são vastas e exigem formação em
exatas.
Estudo do subsolo é principal atribuição.
O geólogo é quem estuda o subsolo e procura recursos naturais que
podem ser explorados pela sociedade. Só que com esta definição crua,
não é possível ter noção da amplitude de áreas de trabalho e da
diversidade de ambientes desse profissional das ciências da Terra,
tema do Guia de Carreiras do G1 desta terça-feira (13). E um pouco
de aventura também pode fazer parte do cotidiano.Uma das áreas que
mais absorvem profissionais da geologia é a mineração. Aí, pode ser
necessário ficar dias embrenhado no meio de uma região erma próxima
de uma mina de manganês. Ou, de repente, o geólogo se destina à
exploração de petróleo, e passa semanas sobre uma plataforma de
petróleo no meio do oceano.
Segundo o vice-coordenador de curso na Universidade Federal do Pará
(UFPA), José Fernando Pina Assis, ser meio homem da selva é coisa do
passado. “Nos anos 70, com as descobertas de jazidas, a gente era
mais aventureiro do que bom geólogo. Hoje essa fase foi superada e
tem mais técnicas e o trabalho é mais detalhista”, diz.
Mas se você imagina que a formação serve só para quem gosta da
natureza e dispensa o conforto, está enganado. Muitos geólogos
trabalham nas cidades para planejar as obras, como túneis, estradas,
edificações, e garantir que tudo não virá abaixo, com uma chuva ou
um deslizamento de terra. Bom, só assim, o campo de trabalho já
parece grande, mas tem mais: a prospecção da água que fica no
subsolo também abre muitas vagas para quem faz a graduação e a
conservação e despoluição do meio ambiente completam o quadro das
principais atividades da geologia. Isso sem mencionar a pesquisa e a
docência.
Talvez por ter tantas áreas de atuação e mercado aquecido é que o
curso tenha caído no gosto dos vestibulandos. “Há aumento da procura
pelos cursos, o que se percebe pelo aumento da relação
candidato/vaga nos últimos vestibulares de muitas das universidades
que oferecem os cursos”, afirma a professora Lúcia Fantinel,
presidente do Fórum Nacional dos Cursos de Geologia.
De acordo com Lúcia, atualmente existem 23 cursos de bacharelado,
que oferecem a formação voltada para o mercado profissional ou para
a pesquisa acadêmica, em geral ministrados em tempo integral. Além
deles, a Universidade de São Paulo (USP) mantém um curso de
licenciatura, chamado ciências da natureza, que pretende formar
professores para o ensino fundamental. Segundo os professores, os
cursos exigem grandes investimentos em laboratórios e, por isso,
ainda não são freqüentes na rede particular.
Como é o curso?
A graduação tem uma carga de exatas bem pesada e demanda muito
estudo. “Quem não gosta de física, matemática, físico-química e um
pouquinho da biologia não deve se meter nessa história”, brinca o
coordenador do curso da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), Ismar de Souza Carvalho.
Não é à toa que a formação básica, nos dois primeiros anos de curso,
é bem semelhante à das engenharias. “Só depois é que passa a ter uma
vertente mais naturalista, de observação do espaço físico”,
acrescenta Carvalho.
De acordo com o coordenador do curso da UFPA, Joel Buenano
Macambira, além de estar preparado para um curso hard, é necessário
gostar de conviver com a natureza. “Nosso trabalho, em geral, não é
no ar-condicionado. Tem períodos em que o geólogo fica grande parte
do tempo na natureza. Tem de gostar de cair na lama de vez em
quando, ficar períodos longe da família e viajar”, diz.
E as viagens começam logo na faculdade, porque, segundo os
professores ouvidos pelo G1, é impossível aprender sem a observação
de campo. “Aqui na UFPA, pelo menos 65% da formação é em trabalho
prático. E um bom curso precisa ter também bons recursos
laboratoriais”.
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