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13/11/07 - Oceanos são
capazes absorver muito mais CO2, mas ecossistemas podem sofrer
com isso
Fonte: Site–Portal do
Meio Ambiente. |
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O plâncton oceânico pode
absorver muito mais dióxido de carbono (CO2) do ar do que se
pensava, mas os ecossistemas marinhos podem sofrer danos se isto
acontecer, informa um novo estudo publicado esta semana na Nature.
Prova disso é que o mar já absorveu cerca da metade do CO2 que foi
emitido por combustíveis fósseis desde o início da Revolução
Industrial.
O gás se dissolve nas águas superficiais, de onde é transportado ao
longo do oceano. Um papel fundamental é realizado por
micro-organismos chamados fitoplânctons, que absorvem o gás
dissolvido no oceano para realizar a fotossíntese. Quando o plâncton
morre, ele desce até o fundo do oceano, potencialmente estocando o
carbono por milhões de anos.
Uma das grandes questões é quanto mais de CO2 o mar pode absorver?
Se, como uma esponja saturada, os oceanos não absorvessem mais, a
concentração atmosférica de CO2 aumentaria acentuadamente, assim
como o aquecimento global.
Outra preocupação é que o crescente aumento do nível de CO2
dissolvido cause uma acidificação da água do mar. A vida selvagem,
como a dos corais, é afetada pela acidificação, mas o impacto sobre
outras espécies marinhas ainda é desconhecido.
Na experiência inovadora publicada sábado na Nature, pesquisadores
isolaram parte do mar no sul da Noruega, para verificar como o
plâncton reagia a diferentes níveis de CO2.
Eles utilizaram nove tanques fechados que foram expostos a
concentrações de CO2 prováveis para os próximos 150 anos. Foram três
níveis: a concentração atual, o dobro desta concentração para
simular o ar em 2100, e o triplo para o ar de 2150.
Para alimentar o plâncton, os pesquisadores adicionaram nutrientes
para simular os alimentos comumente trazidos pelas correntes
oceânicas e pela ressurgência, monitorando o plâncton por 24 dias.
Os investigadores descobriram que, quanto mais alto o nível de CO2,
mais o plâncton crescia. Os organismos conseguiram absorver 39% a
mais de carbono dissolvido em comparação com os níveis atuais, mas
não precisaram de nutrientes adicionais para alcançar este
resultado.
O trabalho, no entanto, ressalta que o aumento da dissolução de
carbono no mar pode causar problemas. O crescimento maior de algas
pode levar a redução do teor de oxigênio em algumas partes do
oceano, enquanto o aumento do nível de carbono pode causar um
desequilíbrio nos nutrientes básicos, causando implicações que podem
chegar a toda cadeia alimentar marinha.
Apoiadores da chamada geo-engenharia (projetos nada convencionais e
que têm por objetivo aliviar os efeitos do aquecimento global)
consideram que o plâncton tem um potencial fantástico para servir
como uma esponja de carbono.
Estes esquemas envolvem o semeio das águas do mar com ferro e outros
nutrientes para incentivar o crescimento do plâncton e a maior
absorção do CO2 atmosférico.
A grande maioria dos cientistas dizem que estes experimentos não tem
justificativa, dadas as incertezas acerca dos impactos ambientais e
pelo grande desconhecimento sobre a topografia do oceano e suas
correntes.
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