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14/05/08 - Governo paulista
lançará programa de compras sustentáveis
Fonte: ELIZABETH LOPES
- Agencia Estado |
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SÃO
PAULO - O governo de São Paulo priorizará, nas compras
governamentais, bens e produtos ecologicamente corretos, ou sustentáveis,
fabricados por empresas preocupadas com a preservação
socioambiental. A idéia é privilegiar não
apenas a qualidade e o custo competitivo, mas também o
respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos e sociais. A
previsão é que o governador José Serra (PSDB)
anuncie as medidas até o fim do primeiro semestre.
O
programa, ao qual a Agência Estado teve acesso, prevê
o lançamento de um selo socioambiental para os 7,5 mil
produtos mais consumidos pelo governo do Estado, uma listagem
que inclui desde material de higiene até máquinas
e equipamentos. O modelo de aquisições sustentáveis
do governo estadual - com sistema de certificação
ambiental e os chamados selos verdes - é adotado nos países
desenvolvidos, como os da União Européia (UE) e
os Estados Unidos.
No
Brasil, algumas administrações públicas,
como a Prefeitura da capital paulista e os governo paulista e
de Minas Gerais, realizam licitações sustentáveis,
que privilegiam, por exemplo, a compra de madeira certificada
nas obras. Na gestão do ex-governador de São Paulo
Geraldo Alckmin (PSDB), houve o lançamento de um carimbo
socioambiental para as políticas, programas e ações
do Poder Executivo. A novidade do projeto que será lançado
no mandato de Serra é a instituição do selo
verde para os cerca de 7,5 mil produtos e bens mais adquiridos
pelo Executivo.
Esta
chancela servirá de referência para os gestores responsáveis
pelas compras do Estado adquirirem os artigos que se enquadrem
nas especificações e normas técnicas de sustentabilidade.
A lista de itens e descrições, em fase final de
elaboração pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado,
estabelece, por exemplo, que os lápis adquiridos pelo governo
de São Paulo terão de ser fabricados com madeira
certificada e de áreas reflorestadas. Os veículos
terão de ter redução de emissão de
poluentes e os equipamentos hidráulicos deverão
dar prioridade à economia no consumo de água. Outra
preferência será para a compra de equipamentos que
privilegiem o uso da energia solar.
Beraldo
Na
avaliação do secretário estadual de Gestão
Pública, Sidney Beraldo, que coordena este plano com o
secretário estadual do Meio Ambiente, Francisco Graziano,
a importância dessa iniciativa está no fato de que
a administração pública usará o poder
de compra para a promoção do crescimento sustentável.
As autoridades do governo do Estado acreditam também que,
a exemplo do que ocorre em outros países, a medida estimulará
o setor privado a privilegiar bens e produtos que contribuam para
a preservação do meio ambiente e o respeito aos
direitos humanos e sociais.
O
programa que será lançado em breve pelo governador
de São Paulo possui similares adotados com sucesso em administrações
de alguns países do Primeiro Mundo. Em Barcelona (Espanha),
por exemplo, há uma regra para a compra de vestuário
dos trabalhadores de parques que obriga as empresas fornecedoras
a atuarem de acordo com as normas da Organização
Internacional do Trabalho (OIT). Em algumas cidades da Grã-Bretanha,
algumas administrações públicas locais proíbem
a compra de produtos que danifiquem a camada de ozônio.
Em muitos países, os produtos reciclados, de madeira certificada
e de áreas reflorestadas também são itens
obrigatórios nas compras governamentais.
Nos
EUA, o governo do ex-presidente Bill Clinton estabeleceu, entre
outras regras, a aquisição de bens com material
reciclado, como papel e óleos lubrificantes. Os gestores
do governo estadual envolvidos neste projeto afirmam não
ter dúvidas de que o programa de compras sustentáveis
terá grande alcance socioambiental e privilegiará
os fornecedores comprometidos com o uso racional dos recursos
naturais.
"É
um programa que terá impacto direto e positivo em toda
a sociedade, na medida em que estaremos contribuindo para a preservação
do meio ambiente e para o respeito aos direitos humanos e sociais.
E isso num momento em que o mundo vive sob o alerta de uma grande
crise ambiental", reiterou Beraldo, lembrando também
que o poder de compra de um governo como o de São Paulo
(o gasto anual total das compras de bens e serviços está
na casa dos R$ 8 bilhões) poderá ter um efeito multiplicador
nos investimentos que o mercado fornecedor realizará na
direção da sustentabilidade.
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