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11/07/08 - Brasil pode ter
Política Nacional de Resíduos Sólidos
ainda esse ano
Fonte: CarbonoBrasil |
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Responsabilizar
as indústrias pelo lixo pós-consumo, aumentar os
incentivos fiscais e tributários para reciclagem e exigir
que municípios elaborarem planos de gestão integrada
para resíduos estão entre as propostas discutidas
esse mês na Câmara dos Deputados para a formação
de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos
(PNRS). O ministro Carlos Minc assumiu a pasta do Meio Ambiente
com o compromisso de melhorar a situação do saneamento
básico do Brasil e os líderes da Frente Parlamentar
Ambientalista aproveitam o momento para tentar aprovar uma legislação
específica que regule a destinação do lixo
no país.
Mais de 158 mil toneladas de lixo são coletadas por dia
no Brasil, sendo que apenas 46,6% desse total recebem destinação
adequada. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(PNAD) realizada em 2006 pelo IBGE, mais de 97% dos moradores
em domicílios particulares permanentes têm o lixo
coletado nas áreas urbanas - número que cai para
24,6% na zona rural. No campo, quase 60% do lixo é queimado
ou enterrado na propriedade e cerca de 15% é jogado em
terreno baldio ou logradouro.
Do total coletado, cerca de 60% é depositado inadequadamente
em lixões, 17% em aterros controlados e 13% em aterros
sanitários – informa o Ministério do Meio
Ambiente. Em uma década houve um aumento de cerca de 12%
dos resíduos dispostos inadequadamente no solo. De acordo
com os dados da PNAD, os setores que mais geram resíduos
atualmente no Brasil são a construção civil,
a agricultura e a pecuária.
Um Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados realiza audiências
públicas e visitas técnicas para discutir as melhores
propostas para compor o PNRS. Os debates têm se guiado por
uma proposta encaminhada ao Congresso em setembro do ano passado
pelo Executivo (o PL 1991/07). O texto trata do acondicionamento,
da coleta, do tratamento, do transporte e da destinação
final dos resíduos de serviços de saúde.
"Carecemos de uma legislação sobre resíduos
sólidos. Há normas do Conselho Nacional do Meio
Ambiente, mas não existem leis que unifiquem ou tratem
corretamente esse problema", afirma o coordenador do GT sobre
resíduos, deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP). Ele considera
que o encaminhamento feito pelo Poder Executivo deve facilitar
a tramitação da matéria e espera que o grupo
vote um substitutivo logo após as eleições
municipais, em outubro, para que o debate ocorra em Plenário
em novembro.
Na prática
Jardim defende que as indústrias sejam responsáveis
pelo o destino do lixo pós-consumo. Nesse sentido, o GT
discute princípio do poluidor pagador e da logística
reversa, duas expressões vinculadas ao chamado pós-consumo
responsável. A idéia é adotar mecanismos
para responsabilizar o fabricante sobre o lixo produzido após
o consumo, adotando instrumentos que facilitem a coleta e a restituição
dos resíduos aos seus geradores. “O descarte pós-consumo
tem um custo para a sociedade. Nada mais justo que partilhar esta
despesa com quem gera o lixo”.
O princípio da logística reversa prevê também
que o material possa ser novamente necessário ao processo
de produção ou ser adequadamente descartado. "Estou
falando de recolher pilhas e lâmpadas e da volta das embalagens
de forma que a legislação obrigue a reutilização
do PET para que ele não fique ao léu, causando um
grande problema", explica o deputado.
O GT também aprofunda o debate tributário e fiscal
sobre reciclagem, considerado fundamental para estimular a reutilização
de materiais descartados. “Não tem sentido, por exemplo,
o papel reciclado custar mais caro que o comum. É preciso
criar instrumentos que atraiam na indústria o interesse
pela reciclagem. Só com incentivos fiscais e tributários
a reciclagem poderá ter um impulso no país”,
afirma Jardim.
Foco nas cidades
Uma condição obrigatória prevista no projeto
que institui a PNRS é a elaboração, por parte
dos municípios brasileiros, de um Plano de Gestão
Integrada de Resíduos Sólidos para poderem ter acesso
a recursos federais relacionados à limpeza urbana e ao
manejo destes resíduos. “É uma forma de responsabilizar
os municípios pela destinação final de seu
lixo”, entende Jardim.
O secretário Nacional de Recursos Hídricos e Ambiente
Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Vicente Andreu,
afirma que o plano de gestão deverá conter a visão
global de todos os resíduos gerados e diagnóstico
contendo origem, volume, característica e destino dos resíduos,
além do monitoramento dos passivos ambientais e a participação
do município na logística reversa local.
A proposta
O diretor de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio
Ambiente, Silvano Silvério da Costa, explica que o PL 1991/07
é a primeira iniciativa apresentada em 17 anos pelo Executivo
sobre a questão dos resíduos sólidos. Segundo
ele, a proposta, que contém 32 artigos e sete capítulos,
estabelece normas para a União e para aqueles que desejarem
receber recursos federais.
O projeto, que tramita em regime de urgência, foi apensado
ao PL 203/91, do Senado, que cria PNRS e está pronto para
votação do Plenário. A proposta proíbe
o lançamento de lixo no solo, nos rios e sem a embalagem
adequada, além da queima a céu aberto. O texto também
proíbe a importação de materiais que produzam
rejeitos nocivos ao meio ambiente e à saúde pública,
como pneus usados.
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