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01/05/08 - Emissões
de metano sobem depois de 10 anos de estabilização
Fonte: Imprensa Sema/Fepam
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Mesmo
existindo em quantidade menor que o CO2, o gás metano é
21 vezes mais potente para o aquecimento global.
Porto Alegre, RS - Um centro de pesquisas governamentais dos Estados
Unidos divulgou, na última semana, mais uma vez aumentos
nas concentrações de gases do efeito estufa (GEE)
na atmosfera em 2007. O fato, não vem a ser uma grande
novidade, já que a cada ano este fenômeno se repete.
A diferença é que, desta vez, os cientistas constataram
um aumento nas emissões de metano, o que não ocorria
há 10 anos.
Segundo a Administração Atmosférica e Oceânica
Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês),
o dióxido de carbono (CO2) cresceu 0,6% ou 19 bilhões
de toneladas no último ano e o metano (CH4), 0,5% ou 27
milhões de toneladas. O gás metano é 21 vezes
mais potente para o aquecimento global que o CO2, porém
está em uma quantidade muito menor na atmosfera. No geral,
há o dobro de CO2 na atmosfera em relação
ao metano.
O pesquisador Ed Dlugokenchy, do Laboratório de Pesquisa
sobre os Sistemas da Terra (ligado ao NOAA) aponta a rápida
industrialização na Ásia e as emissões
crescentes vindas de terras alagadas no Ártico e nos trópicos
como causas mais prováveis para o recente aumento de metano.
“Estamos atentos ao primeiro sinal de metano liberado pelo
derretimento do permafrost ártico. Mas é ainda muito
cedo para dizer que o salto de emissões do último
ano seja o início de tal padrão”, afirma Dlugokenchy.
O solo permanentemente congelado do Ártico, chamado de
permafrost, contém vastas quantidades de carbono estocado.
Cientistas estão preocupados que o contínuo aquecimento
do Ártico e o derretimento do permafrost possam liberar
carbono para a atmosfera em forma de metano, possivelmente abastecendo
um círculo de lançamento de emissões e aumento
das temperaturas.
Também é possível que o aumento de metano
tenha outras causas, segundo os pesquisadores. Entre 1978 e 1998,
as emissões deste tipo de gás subiram drasticamente,
depois estabilizaram.
Volta ao normal
Para o químico atmosférico Michael Prather, da Universidade
da Califórnia e um dos autores do relatório do IPCC
de 2007, este pode ser um sinal de retomada nos padrões
normais de emissões de metano. Os níveis constantes
dos últimos oito anos desafiavam projeções
anteriores do IPCC.
As razões para esta estabilização, segundo
ele, podem variar de mudanças na
demanda energética da Rússia depois do fim da União
Soviética a impulsos dados a indústrias dos Estados
Unidos e da Europa para atacar os vazamentos de metano em sistemas
de canos, aterros sanitários e outras fontes que foram
cortadas inicialmente para controlar os GEE.
O pequeno aumento detectado pela NOAA “é uma surpresa”,
diz ele. “Mas de alguma maneira pode significar que estamos
voltando ao normal”.
A tarefa agora, segundo Dlugokencky e outros, é conduzir
análises detalhadas de exemplos de metano do último
ano para tentar identificar as fontes – Hemisfério
Norte verso Sul e geração natural verso antropogênica.
Emissões de CO2
Os dados da NOAA mostram que, no ano passado, o CO2 aumentou em
2,4 moléculas por cada milhão de moléculas
no ar, uma medida conhecida como partes por milhão, ou
ppm.
Os níveis de CO2 estavam em 270ppm até 1850, período
anterior ao uso intenso de combustíveis fósseis
(iniciado a partir da revolução industrial). No
início de 2006, a concentração era de 380ppm.
Em 2007, os níveis já estavam próximos de
385ppm, tendo subido de forma mais íngreme nestas últimas
três décadas. E, de acordo com um gráfico
online de emissões de GEE (http://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/),
o aumento segue em 2008.
“A média (aumento anual) nos últimos cinco
ou seis anos tem sido 2ppm e isto já é mais alto
que nas décadas anteriores. Em toda esta década,
a taxa de aumento acelerou e nós temos um candidato bem
claro (para a causa) que são as emissões de queima
de combustíveis fósseis”, afirma o pesquisador
Pieter Tans, do Laboratório de Pesquisa sobre os Sistemas
da Terra da NOAA. Nos anos 80, o aumento anual era de cerca de
1,5ppm e, nos anos 60, de menos de 1ppm.
“Isto é tenebroso”, diz Tans. “Estamos
no trilho errado com as emissões de dióxido de carbono,
é óbvio. E eu estou completamente convencido de
que, na realidade, estamos em uma situação bastante
perigosa com relação ao clima.”
A China é hoje o maior emissor de gases do efeito estufa,
seguida pelos Estados Unidos. Os dados preliminares divulgados
pela NOAA compõem um Índice anual de GEE e são
baseados em análises de 60 locais distribuídos ao
redor do planeta. A NOAA se dedica a pesquisas climáticas
e a proteção dos recursos marinhos da costa dos
EUA. A instituição trabalha em conjunto com mais
de 70 países e com a Comissão Européia no
desenvolvimento de uma rede de monitoramento do planeta chamada
Global Earth Observation System of System (GEOSS) – algo
como Sistema do Sistema de Observação Global da
Terra.
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